sexta-feira, 28 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Colapso do século XXI

       "A vizinhança é uma arma engatilhada/Motivos banais desencadeiam gritos à todo vapor/A confusão em massa é o ódio que alimenta os que vivem da histeria". Com essa letra, os integrantes da multi-premiada banda de punk-rock Green Day criticam a transformação que acomete as sociedades ditas civilizadas do século XXI. Apesar de feita num contexto estadunidense, a análise pode ser aplicada perfeitamente ao Brasil, onde nunca se viu tanta violência como agora.
       Estando presente nos locais de trabalho, no trânsito, no lar e até mesmo contra os animais, essas manifestações negativas têm se destacado por um fator agravante: a parcela jovem da sociedade está contribuindo cada vez mais para o aumento das estatísticas da violência no país. Segundo pesquisa do Ministério da Justiça, 40% dos jovens mortos na última década foram vítimas de homicídios (nos adultos, esse valor não chega a 2%); e a taxa sobe para 62% quando se acrescentam fatalidades no trânsito e suicídio, que também podem ser consideradas formas de violência. Para comparação, na década de 80, 47% dos jovens morriam por doenças infecciosas e epidemias.
       Contudo, assassinatos, suicídios e acidentes de trânsito não são as únicas expressões de violência. É preciso entender esse termo muito além da agressão física ou da morte; haja vista os casos de bullying e preconceitos em geral. Muita vezes, esse tormento psicológico é que vai desencadear a manifestação física e a fatalidade, seja do agressor ou do agredido.
       Uma outra análise importante a ser feita é a necessidade de se desvincular imediatamente a associação simplista e preconceituosa entre pobreza/etnia/violência. Estudantes brancos de Direito de classe alta que espancaram uma negra recentemente são tão marginais quanto o garoto mulato e pobre de Realengo que abriu fogo contra os alunos de sua antiga escola onde sofria bullying. Os "machinhos" da elite que apostam rachas e matam pedestres "sem querer" são tão covardes quanto um jovem traficante do morro que mata alguém que lhe deve dinheiro. Esses, e tantos outros exemplos, estão aí para provar que a linha que gostavam de imaginar, responsável por separar o pobre do rico - a civilidade decorrente do dinheiro -, era simplesmente uma mentira. E a verdade é que estamos todos entrando em colapso. E motivos não faltam.
       Segundo geógrafos, o processo de urbanização no Brasil começou na década de 1970 e no final dos anos 80 as grandes cidades já experimentavam um inchaço demográfico. Além de forçar a convivência entre pessoas de diferentes pensamentos, criações e hábitos, esse processo levou ao desemprego, às precárias habitações e ao estresse; fatores esses sentidos principalmente por adultos, mas vivenciados em toda a sua dor por seus jovens filhos. Já a mídia, em todas as suas formas, parece estetizar a violência e usá-la como fonte para atrair audiência, ao mesmo tempo em que vende sonhos alienantes e consumistas, como se isso pudesse dar ao jovem a liberdade e a felicidade tão desejadas dessa época. Por fim, o laço que unifica isso tudo: a falta de consciência ética e coletividade que ocorrem quando a família ou está desestruturada ou ignora sua função educacional, entregando esses papéis à escola, aos computadores e demais tecnologias. A interação entre dois ou três desses fatores acaba, com certeza, levando à explosão de violência que os jovens têm praticado hoje.
       Como resgatar nesse grupo, então, o "querer-viver" de Schopenhauer e o "instinto de auto-preservação" de Freud? Não é um trabalho fácil, por isso é necessária uma ação conjunta entre Estado, mídia e família. Esse primeiro tem de urgentemente fornercer condições saudáveis para o desenvolvimento dos jovens; promover melhorias nas escolas públicas, incentivar as artes e esportes e dar a eles condições reais de inserção no mercado de trabalho. A mídia poderia mudar o seu projeto de formar um "jovem alucinado" e conscientizá-lo de seu papel como mantenedor da paz na sociedade do futuro. Mas o mais importante continua sendo aquilo que se aprende em casa. Os pais de hoje precisam ser mais rígidos (não autoritários ou agressivos, contudo) na educação dos filhos. Implantar neles desde cedo a valorização e o respeito ao outro, a prática da benevolência, da ética e, quando possível, das ações comunitárias são medidas fundamentais para a formação de um jovem-adulto de bem.
       Dessa forma, a juventude, fase tão bonita, mas infelizmente caracterizada pela opressão e terror atuais, poderá voltar a ser vista como elemento de esperança, bondade e harmonia. Até lá, entretanto, teremos uma longa caminhada, mas podemos dar os primeiros passos hoje. Agora.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Opinião: Sobre o voto branco ou nulo

       A ignorância e a indiferença do eleitorado são as principais causas da corrupção e da pobreza de espírito que assola a política no Brasil; e para mudá-la a sociedade deve mudar a si mesma anteriormente.
       O Brasil não está num alto nível democrático que permite que seus eleitores abdiquem o voto - para quem não se lembra, saímos de uma ditadura há apenas 25 anos -, portanto, alternativas como o voto nulo ou branco são impensáveis. Talvez um dia o voto no Brasil venha a ser facultativo, e se o for, saberemos que foi pela conquista do povo, que, interessado, utilizou o poder de escolha como uma ferramenta de "seleção natural" de alta eficácia, deixando no poder apenas os políticos comprometidos com o melhor para a Nação.
       Até que esse dia chegue, porém, o voto compulsório - e consciente, claro - continua sendo a melhor maneira para expurgar da política aqueles que não merecem estar nela e, acima de tudo, demonstrar comprometimento com o tipo e a qualidade de vida que se quer para o futuro não só individual, mas coletivo e também das gerações por vir.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A ética do lado de cá do espelho

       Viver em sociedade não é uma tarefa fácil. Para que essa missão fosse bem-sucedida, o filósofo John Locke teorizou um contratualismo político, no qual os homens - percebendo a necessidade de um órgão para regulamentar as relações - submetiam-se voluntariamente a um governo. Já para Rousseau, o contrato deveria ter cunho social, com os indivíduos organizando a sociedade por si mesmos de acordo com a vontade geral. Ao passo em que os dois pensamentos podem ser vistos como complementares, fica claro que em ambos os contratos há um papel indispensável ao cidadão para que a coletividade seja mantida: a consciência ética.
       Atualmente tão esquecida, ela é o conjunto de valores que norteiam a boa conduta do ser humano nos mais diferentes aspectos. No governo brasileiro já se tornou chavão dizer que "todos os políticos são corruptos". Entretanto, esquece-se com isso de que nossa democracia é representativa; os políticos que estão no poder nada mais são do que reflexo de nossa sociedade. Outro ponto negativo nessa condenação generalizada é o perigo de vermos a falta de integridade sempre nos outros, nunca em nós mesmos.
       Contudo, jogar lixo na rua quando se tem uma lixeira logo à frente, ou aceitar dez centavos a mais no troco da padaria é tão desonesto quanto colocar milhares de dólares na cueca. E o indivíduo que não percebe essa relação e se sente alheio diante o cenário vergonhoso no qual o Brasil se encontra, apenas contribui para legitimar a corrupção na sociedade e, consequentemente, na política.
       Para que essa mentalidade conformista com as injustiças e a falta de caráter seja extinta de nossa nação é necessário antes de tudo experimentar a ética no dia-a-dia. Ser honesto, pensar no e respeitar o próximo, e ter a dignidade de reconhecer que o mundo não se baseia no egocentrismo são os principais passos para que uma verdadeira transformação tome conta do nosso país. Outra medida de fundamental valor seria o urgente investimento em educação de que todos falam. Mas não apenas na propagação de fórmulas matemáticas ou regras gramaticais; educação aqui no sentido de formar crianças e jovens - que serão nosso futuro - com senso crítico e consciência moral, cidadão e ética.
       Apenas dessa forma a solidariedade e o respeito ao diferente irão se fazer realidades no Brasil, permitindo o nascimento de uma democracia mais limpa, justa e acolhedora que qualquer filósofo poderia teorizar.

       Imagens da Marcha Contra a Corrupção realizada em Brasília no dia 7 de setembro de 2011. Reuniu cerca de 20 mil pessoas que pediam o fim do voto secreto no Senado e na Câmara, além de maior transparência no gasto do dinheiro público e a validação da Ficha Limpa para as próximas eleições. Movimentos semelhantes aconteceram em São Paulo e no Rio, juntando mais de 50 mil pessoas.Tudo combinado pelas redes sociais. Novas marchas já estão sendo agendadas em várias cidades pelo país.

domingo, 11 de setembro de 2011

V de "Justiça"

      Onze de setembro de 2001. O ataque terrorista ao World Trade Center deixa mais de três mil mortos e outra série de atentados é praticada em Washington e na Pensilvânia. Uma tragédia que imprimiu suas imagens assombrosas na memória coletiva do planeta.
       Hoje, dez anos depois dos ataques liderados por Osama bin Laden, ícone máximo do grupo terrorista Al Qaeda, "justiça foi feita". Ao menos foram essas as palavras retumbadas com satisfação pelo presidente estadunidense Barack Obama. Nas ruas de Nova Iorque e outras grandes cidades da maior potência econômica mundial - em crise - houve festa. Os civis saíram às ruas aplaudindo, gritando e ridicularizando a morte do homem responsável pelas milhares de fatalidades dez anos antes. A Agência Central de Inteligência Americana (CIA) declarou sem pudor que o objetivo de sua missão era de fato matar bin Laden. Justiça?
       Não, senhores. O nome disso é vingança. Punir morte com morte é uma animalização, faz-nos regredir aos tempos da Lei de Talião no início da história da humanidade. Osama estava errado? Claro. Mas essa última demonstração imperialista dos EUA faz com que eles percam a razão e se tornem tão terroristas quanto o mentor da Al Qaeda: o governo americano se consolida como terrorista da democracia e dos Direitos Humanos.
       A Al Qaeda, por sinal, havia muito já não era liderada por bin Laden. Como todo grupo organizado, há uma hierarquia e o médico Al Zawahiri é o atual mentor da rede de fundamentalistas. Osama nos últimos anos era nada mais que um ícone de fácil identificação, um representante demonizado do terror pelo governo estadunidense a fim de fazer o mundo compactuar com suas ações imperialistas. O assassinato desse representante não significa justiça ou o fim da era do terror, tampouco da guerra contra ele. Pelo contrário, bin Laden se tornou um mártir para seus seguidores, que já declararam que a morte de seu líder será uma "maldição que irá perseguir os americanos e seus aliados".
       Diante essa ameaça, o mundo se posiciona. O Conselho de Segurança da ONU ordenou que todos os países permaneçam atentos e intensifiquem os esforços na luta contra o terrorismo. Por inconsequência e imaturidade do prepotente governo americano, todos foram convocados a escolher um lado em uma guerra que nem teria começado se os presidentes dos EUA não tivessem um histórico em querer controlar todas as nações do globo. O principal terrorismo a ser combatido, senhores, deveria ser o imperialismo.

Justiça?

  
UM CONTO SOBRE UM IMPÉRIO: 
       • 1945: EUA bombardeiam Hiroshima e Nagasaki. Resultado: 300 mil mortes.
       • 1953: EUA derrubam Mossadeq, primeiro-ministro do Irã. Colocam Shah como ditador.
       • 1954: EUA derrubam Arbenz, presidente da Guatemala eleito democraticamente. 200 mil civis são mortos no processo. 
       • 1963: EUA apóiam o assassinato do presidente sul-vietnamita, Diem.
       • 1963-75: Exército americano mata 4 milhões na Ásia.
       • 1973: EUA armam um golpe de Estado no Chile. O presidente Salvador Allende, eleito democraticamente, é assassinado. O ditador Augusto Pinochet assume. 5 mil chilenos são assassinados.
       • 1977: EUA apóiam o governo militar de El Salvador. 4 freiras e 70 mil salvadorenhos são mortos.
       • 1980: EUA treinam bin Laden e terroristas para matarem soviéticos. A CIA banca a operação de U$ 3 bilhões.
       • 1981: O presidente estadunidense Reagan treina e financia revoltosos contra o governo da Nicarágua. 3 mil civis morrem.
       • 1982: EUA dão bilhões de dólares a Saddam Hussein para que ele compre armas para matar iranianos. 
       • 1983: Casa Branca é descoberta fornecendo secretamente armas ao Irã para matar iraquianos.
       • 1989: O agente da CIA e também presidente do Panamá, Manuel Noriega, desobedece comandos de Washington. Os EUA invadem o Panamá e desapossam Noriega. Saldo de 3 mil panamenhos mortos.
       • 1990: Iraque invade Kuwait com armas fornecidas pelos americanos.
       • 1991: EUA invadem o Iraque. Bush-pai reempossa o ditador do Kuwait.
       • 1998: Bill Clinton bombardeia com mísseis "fábrica de armamentos e antraz" no Sudão. Descobre-se, contudo, que era uma fábrica de aspirinas.
       • 1991-2010: Aviões americanos bombardeiam o Iraque semanalmente para "estabelecer um governo democrático" e acabar com o programa de "armas de destruição em massa". Segundo a ONU, pelo menos 500 mil crianças morreram devido às bombas e suas consequências.
       • 2000-01: EUA dão aos talibãs que controlam o Afeganistão U$ 245 milhões para "ajuda".
       • 11 de setembro de 2001: Osama bin Laden mata 3 mil pessoas no ataque às Torres Gêmeas com técnicas que aprendeu com a CIA.


domingo, 4 de setembro de 2011

Metáforas

        Continuou girando os pedais com toda força que tinha. Sabia que ia cair. E todos iam ver ele cair. Enquanto descia, teve consciência de que era apenas isso que o motivava a descer aquela escadaria tantas vezes, a possibilidade da queda, de se arrebentar no chão. E essa seria a mais espetacular de todas. (...) Estava pronto para sangrar (...) de um jeito que ninguém jamais esqueceria. Era seu talento.

O primeiro passo

       Brasil, Janeiro de 1890. Ao mesmo tempo em que se tornava uma República Federativa, nosso país rompia os laços com a Igreja Católica e consolidava-se um Estado Laico Democrático de Direito. Finalmente, não mais prevaleceriam as paixões religiosas de outrora; a partir daquele ano a lei maior a ser seguida seria a Constituição Federal. E logo em seu primeiro artigo, ela deixa claro que seu princípio é o da dignidade humana, visando a construção de uma sociedade livre, justa e sem preconceitos e/ou discriminação de quaisquer tipos. Entretanto, o quanto de tudo isso é de fato assegurado por ela?
       Até então, muito pouco, se tivermos em mente que a Constituição deve acalentar a toda uma nação e não apenas sua maioria. A (boa) surpresa ocorreu atualmente, mais de um século depois da consolidação da República: casais homossexuais passam a ter os mesmos direitos dos héteros. Isso não deveria ser choque algum, tampouco ter gerado tanto estardalhaço na mídia. Ora, se a Carta Magna prega que todos são iguais e dignos, deveria desde o primeiro momento reconhecer as diferentes esferas que as palavras "família" e "união" englobam.
       Porém, não é tão fácil para uma sociedade se libertar de sua bolha quando sua própria origem em 1500 está contaminada pelos dogmas e preconceitos religiosos. Pode-se entender que a resistência ao "novo" significado de família e união é um resquício dessa mentalidade arcaica, haja vista que as principais bancadas opositoras aos direitos dos homossexuais no Congresso foram as religiosas e ruralistas. Apesar de se entender, não se pode compactuar com o preconceito. Como dito anteriormente, o Estado é laico e, portanto, crenças religiosas não podem interferir na liberdade individual e de consciência dos cidadãos, bem como não têm legitimidade alguma na promulgação de leis.
       Os opositores aos direitos LGBT defendem-se dizendo que são a favor dos bons costumes, da moral e que o que os homossexuais querem é implantar uma "ditadura gay" sobre a nação, o que é risível por dois motivos. Primeiro, que há muito tempo os próprios héteros não mais respeitam os bons costumes e passam a exigir isso de uma minoria que é tão humana e falha como eles. Segundo, porque como uma parte excluída, marginalizada da sociedade poderia possivelmente implantar uma ditadura? As recorrentes aparições de gays em seriados, novelas e telejornais não têm o objetivo obscuro de dominação política ou econômica como alguns gostam de delirar, apenas visam dar maior consciência à população de que eles existem e que também são merecedores de respeito e de todos os direitos garantidos pela Constituição, uma vez que antes de serem homossexuais são, sobretudo, seres humanos com vontade de viver e amar como qualquer outra pessoa.
       Finalmente, agora eles podem. Depois da aprovação do Supremo Tribunal Federal, o primeiro passo para a verdadeira igualdade democrática foi dado. Resta agora esperar que outras minorias também possam ser contempladas e integrar efetivamente esse Brasil que amanhece mais justo e digno a cada manhã.



Terremoto diplomático

       2010 foi sem dúvida alguma o ano dos abalos sísmicos. Só para que se tenha dimensão da gravidade, até o início de maio do ano passado os terremotos resultaram em mais de 200 mil mortes pelo mundo, a exemplo do Haiti, China e Sumatra. Não muito depois, em julho, o terremoto tornou-se outro: o anteriormente inofensivo site WikiLeaks ganhou notoriedade ao expor para toda a internet dados sigilosos da diplomacia americana.
       Fundado em dezembro de 2006 pelo jornalista e ciberativista Julian Assange, o WikiLeaks tem se encarregado da publicação de qualquer tipo de mídia e informação sobre assuntos delicados. Em seis meses de existência já era possível encontrar mais de um milhão de documentos que revelavam desde "como se tratar com crueldade" os prisioneiros de Guantánamo (campo de concentração norte-americano em Cuba) até a lista de integrantes da extrema-esquerda da Inglaterra. Entretanto, nada causou tanta repercussão quanto o vazamento (daí o nome Leaks) de dados sobre o exército dos Estados Unidos e sua atividade irresponsável e desumana nas guerras do Iraque e do Afeganistão. São vídeos e páginas e relatórios secretos descrevendo torturas de prisioneiros, ataques a civis por pura "diversão" e tantos outros crimes de guerra.
       Conseqüência disso, WikiLeaks e seu fundador foram considerados pelo governo estadunidense e seus aliados como ameaças à segurança nacional e sofreram pesadas represálias políticas. Simultaneamente à imagem de "terrorista high-tech" - como definiu o vice-presidente da maior potência econômica - há quem diga que Assange é o herói libertário que as democracias atuais estavam precisando. Mas será mesmo tão fácil e eficiente enquadrá-lo em algum desses opostos tão simplistas?
       Ora, todos nós sabíamos o que se passava no Oriente, entretanto preferíamos ignorar, até que Assange surge como aquele que grita boas verdades na cara de todos. O objetivo era nobre: alertar a população mundial acerca dos atos imperialistas que uma América, que se julga tão defensora dos Direitos Humanos, está cometendo em pleno século XXI. Por outro lado, faltou por parte do jornalista o bom-senso ao divulgar dados puramente com o intuito de chocar.
       Em contrapartida, os Estados Unidos. Tão metido em corrupções e fraudes, mas ainda admirado por muitos. A respeito de toda essa confusão o governo declarou que a divulgação de tais dados é uma afronta à diplomacia e chega a "representar risco para os soldados e afegãos". O que eles se esquecem ironicamente é de que sua própria presença no Oriente é que resulta na morte de tantos afegãos, não a liberação de informações secretas sobre o terrorismo que os Estados Unidos tem implantado naquele povo em busca de petróleo.
       Por fim, uma questão que cabe nesse contexto é a dos limites para a divulgação de informações na era da digitalização. A liberdade de expressão foi conquistada após tanta luta que limitá-la seria um desrespeito àqueles que a desejaram no passado. O que deve ser feito, portanto, não é nada mais que a simples aplicação do bom-senso e da ética por ambas as partes; aquela que prejudica e a que divulga. Apenas dessa forma a política externa se torna exatamente como deve ser: transparente, popular e, sobretudo, democrática.

sábado, 13 de agosto de 2011

A televisão neutra

       Já há algum tempo tem se discutido muito sobre os benefícios, malefícios e principalmente a influência que a televisão exerce sobre nossa sociedade. Há quem diga que o aparelho é uma invenção que como nenhuma outra entretém e dá apoio à evasão imaginária, o que, claro, é rebatido por aqueles que são contra ela pelo fato de ser também um meio de manipular as massas e propagar maus costumes. Nesse jogo de dualismos tão extremos, o que representa a televisão para as pessoas, afinal?
       Sobretudo ela é uma forma de ser fazer arte. No início da década de 50, ainda não era popular no Brasil, mas seu barateamento cerca de 15 anos depois tornou-a mais acessível às pessoas. E desde então podemos viajar para outros lugares e tempos, sermos personagens que sempre desejamos ser, conhecer outras culturas e povos; tudo isso sem sair do lugar. Não bastasse seu propósito artístico e de entretenimento a televisão também pode utilizada para transmitir informações e conhecimento.
       Entretanto, o que se vê hoje em dia é uma deturpação daquilo que a TV - como foi carinhosamente apelidada - tem de melhor. Os noticiários tornaram-se parciais ao extremo, telenovelas e seriados não poderiam ser mais apelativos quanto a sexo ou violência, realities oferecem prêmios milionários às pessoas mais fúteis da sociedade; tudo isso ao som de "compre", "faça", "tenha". O mais triste é perceber que justamente esses programas são os de maior audiência.
       Por esse motivo, somos levados a acreditar que algo de muito errado está acontecendo. Estaríamos passando tempo demais em frente à televisão e tempo de menos fazendo coisas edificantes como a leitura, os estudos e a socialização? Sabemos que a televisão reflete aquilo que seu telespectador quer e, conseqüentemente, aquilo que ele é. O aparente emburrecimento da audiência explica-se com isso. Estamos deixando a comodidade de apertar um botão dominar nossas vidas em vez de sermos aqueles que ditam o que querem assistir. Mudar de canal ou desligar o aparelho é a única forma de manifestar nosso desejo por algo melhor.
       É necessário ter, portanto, uma postura inteligente diante à televisão. Seria radicalismo dizer que ela apresenta apenas pontos negativos e suspender seu uso. Por outro lado, não podemos nos submeter silenciosamente a tudo que nos é transmitido como se o aparelho fosse uma espécie de deus do mundo moderno. O bom-senso é a principal arma a ser utilizada a partir do momento em que nos dispomos a assistir qualquer programa. Para isso, basta apenas mudar de canal ou, no caso de nada fizer juízo à sua inteligência, desligar o aparelho e procurar algo melhor para fazer. Agora, se você prefere continuar se divertindo e dando audiência às transmissões de pior qualidade talvez nem devesse ter uma televisão em primeiro lugar.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Nacionalismo futebolístico

Contexto: junho/julho de 2010.

       É época de Copa. Pelas ruas é possível encontrar carros com bandeiras, camisetas da Seleção, lojas e pessoas exalando verde e amarelo. É tempo de felicidade, sorrisos, reunião e nacionalismo. Mas passado um ou dois meses, o que aconteceu com tudo isso? Onde estarão as comemorações, a alegria e, acima de tudo, o patriotismo? Certamente que repousando para ressurgirem com força máxima em quatro anos, pois este é o ciclo que o Brasil se acostumou a repetir.
       Durante um mês, não há nada mais importante que nossa Seleção. O jornal perde parcialmente sua função; política, educação e violência deixam de existir e a população brasileira se ilude com isso. As pessoas se tornam mais humanas, o comércio faz a festa e as diferenças sociais tão gritantes de outrora parecem desaparecer. E realmente apenas parecem. Porque enquanto muitos torcem no conforto de seus condomínios fechados e casas com cerca elétrica, milhões ainda vivem em estado decadente, sub-humano. As favelas não desapareceram, tampouco os assassinos, a fome e os desabrigados.
       Essa cegueira coletiva na percepção do brasileiro em época de Copa é compreensível se analisarmos nosso passado. Fomos colonizados, escravizados, submetidos à ditadura e tantos outros itens de um histórico que torna nossa nação sofrida e nos dá o direito de imaginarmos a nós mesmos como perdedores, subjugados. Eis que surge então o futebol, algo para o qual realmente fomos feitos, o esporte que é paixão incontestável. E temos a certeza de que, nesse aspecto, somos campeões. Entretanto, com o fim da Copa voltamos ao estágio inicial: uma nação sem perspectiva e patriotismo.
       O civismo criado pelo futebol é obviamente benéfico para o país. Contudo, melhor seria se pudéssemos ser patriotas os 365 dias do ano. Para isso necessário seria que fôssemos campeões também em outras modalidades como as inúmeras questões socioeconômicas alarmantes. É preciso mais investimento e políticas eficientes para que possamos nos orgulhar de sermos bons na saúde e ensino públicos, na segurança, cultura e economia. Se o futebol é paixão nacional porque somos incomparavelmente melhores que todos os outros países, precisamos desenvolver o mesmo sentimento para essas outras áreas.
       Todavia, nada vai mudar se continuarmos parados. Como no esporte que nos move, é necessária ação, estratégia e iniciativa. Precisamos aprender a votar, discutir política, não sermos manipulados por telejornais ou alienados por novelas. Precisamos pensar, criticar e, por fim, entender que nós - e nosso país - temos potencial para sermos uma nação que pode vencer muito mais que Copas do Mundo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Opinião: A suposta superioridade cultural

       É preocupante que em pleno 2011 algumas pessoas civilizadas e estudadas defendam a idéia de que determinada cultura é superior a outra, seja analisando aspectos como a saúde, tecnologia, economia, política ou religião de suas sociedades.
       Antes de tudo, é necessário entender e o que é sociedade e cultura. Sociedades são grupos de pessoas com vidas semelhantes e semi-abertas a fatores (incluindo indivíduos) externos. Há, de fato, um intercâmbio de produções, técnicas e métodos entre dois ou mais povos, mas eles ficam caracterizados por suas principais peculiaridades, pelas produções e hábitos comuns geralmente aprovados e feitos pela maioria; e a isso se dá o nome de cultura. Essas características que distinguem uma sociedade, por sua vez, compõem um sistema fechado, suficiente e que faz sentido apenas dentro de si. Não é necessário o olhar, a crítica ou o estudo de alguém que não faz parte de uma cultura para julgá-la melhor ou pior.
       Li recentemente uma frase que me motivou a escrever esse artigo: "a cultura indígena é inferior à caucasiana, pois essa última criou a 9mm, arma muito mais potente, tecnológica e que demanda mais inteligência em sua construção que os tacapes ou zarabatanas utilizada pelos gentios.". O comentário absurdo se extendeu ao ponto de "a cultura italiana é superior à brasileira", pois "desenvolveu Ferraris enquanto o Brasil até hoje não tem uma fábrica nacional de automóveis". Os exemplos citados pelo ingênuo que conheci mostram os dois erros que as pessoas que defendem alguma superioridade cultural carregam consigo.
       O primeiro é o da relativização cultural. "Uma é melhor que a outra, pois inventou isso ou aquilo." Ora, sejamos sensatos. Nenhuma sociedade é pioneira ou detentora de todos os melhores hábitos e invenções do mundo. Se uma é boa em "A" com certeza deixa a desejar em "B", e porque não admitir que outra cultura pode muito bem desenvolver "B" com maestria?
       O segundo erro mistura orgulho e hipocrisia. Todas as sociedades tendem a achar que sua cultura é superior a alguma outra porque suas técnicas são "mais desenvolvidas". Pouco importa se são. Quando se trata de culturas, a única coisa a ser analisada é a eficiência de seus métodos. Voltemos à primeira frase do ingênuo. Postos lado a lado, um revólver e uma zarabatana têm o mesmo objetivo: matar outro ser vivo. Se ambos cumprem a finalidade a que se dispõem em seu ambiente de origem, ambos são eficientes e têm, portanto, o mesmo valor. Como dito acima, culturas são sistemas isolados. Bandidos ou PM's da cidade não vão usar zarabatanas uns contra os outros e índios não vão caçar animais com pistolas 9mm.
       Por fim, isso vale para todas as sociedades que divergem tanto quanto aos métodos e criações culturais. Comparar o cinema, a música, a etnia, as festividades e outros fatores para selecionar uma "cultura superior" demonstra apenas ignorância. Se os produtos caracterizadores de um povo forem eficientes em seu sistema fechado, então são tão bons quanto quaisquer outros que também sejam eficientes.


       Fiquemos de olho nessas pessoas que legitimam a superioridade cultural de determinada sociedade. No final das contas os pensamentos dos líderes da Inquisição Medieval, dos genocidas de Ruanda, de Hitler, Bin Laden e Gobineau não eram tão diferentes assim...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Os 10 melhores anos da minha vida


       Muitos preferem não exercer suas imaginações de forma alguma. Optam por permanecer confortavelmente dentro dos limites de sua própria experiência, nunca se preocupando em perguntar como seria ter nascido diferente do que são. Eu poderia invejar pessoas que conseguem viver dessa maneira, exceto por achar que eles não têm menos pesadelos que eu. - J.K. Rowling

terça-feira, 14 de junho de 2011

Opinião: Ação afirmativa ou hipócrita?

Carta de solicitação aos reitores das universidades públicas brasileiras acerca das cotas raciais.

Goiânia, 10 de novembro de 2009
      
       Caro reitor Edward Madureira Brasil,
       me chamo João da Silva e sou um estudante concluinte do Ensino Médio pelo sistema público de educação e anseio desde muito novo tornar-me um advogado. Entretanto, tendo dificuldades financeiras que me impedem de estudar em bons colégios e preparatórios para o vestibular - em sua maioria particulares -, vejo meu objetivo distante de sua realização, ainda mais com uma política de ação afirmativa recém-adotada pela UFG que prioriza uma parcela de população injustificadamente.
       A cota para negros foi um medida há não muito implantada que tem causado certo desconforto na população preterida. Aqueles que a defendem justificam-se dizendo que a política tem como finalidade reparar tantos anos de peleja dos afrodescendentes no início da história de nosso país. Argumentam ainda que a sociedade brasileira é muito racista e que o número de negros nas universidades é desprezível. Entretanto, percebe-se claramente que o sistema de cotas faz na verdade aumentar a segregação e o preconceito dos brasileiros à medida que afirma que certos grupos são melhores ou piores, mais ou menos capacitados que outros. Em alguns casos, essa política afirmativa ultrapassa o ridículo e incentiva cada vez mais a intolerância contra os negros, haja vista o caso do estudante que prestou vestibular na UFRGS para administração e não foi aprovado, perdendo sua vaga para um cotista que havia tirado nota menor que ele.
       Mas a grande questão, que merece de fato ser foco da discussão, é esta: até que ponto a cor da pele de uma pessoa interfere em sua capacidade cognitiva? Pois é isso que está em jogo quando se presta um vestibular.
       Na última década tem-se notado no "país de todos" uma necessidade quase que patológica de integração na sociedade das várias crenças, costumes e "raças" - quando o certo seria usar "etnias", uma vez que a raça é única: a humana. Já que políticas afirmativas estão tão em alta, porque não utilizar-se delas de forma a favorecer grupos realmente necessitados? Vide os deficientes intelectuais e a população de baixa renda - que não tem condições financeiras para bancar os processos seletivos elitistas. E infelizmente, como o Estado é incapaz de agir em favor da melhoria do ensino público, um terceiro grupo poderia ser admitido para receber cotas: alunos desse vergonhoso sistema. Ressalta-se aqui, porém, que essas últimas cotas não vão tirar o ensino público da precariedade, elas são apenas uma medida paliativa. Após isso, conclui-se que somente esses três grupos poderiam, com dignidade, ingressar no Ensino Superior de maneira facilidada.
       Espero que por meio desta tenha feito Vª Magnificência rever os conceitos de uma verdadeira política afirmativa e discutir com a comunidade acadêmica, o corpo docente e administrativo maneiras de torná-la eficiente e não-separatista. De fato, o Brasil tem uma dívida histórica e social para com os negros, mas essa responsabilidade não pode ser jogada em cima da população que vive no século XXI, de outra forma, grupos como louras, homossexuais, judeus, albinos e tantos outros mereceriam receber privilégios devido a seu passado histórico cheio de repressões.
       Numa sociedade democrática este é o mínimo que se pode esperar.

Cordialmente,
João da Silva.
 

► O local, a data, o destinatário e o remetente (incluindo a universidade e o curso por ele pretendidos) são apenas referenciais para o cumprimento da proposta de redação.

É muito mais fácil matar por uma causa...


...do que morrer por ela.

Pela sustentabilidade do homem

       Nas últimas décadas uma importante questão vem sendo levantada: a da preservação do meio-ambiente. É necessário que entenda-se por esse termo, antes de qualquer análise, um conceito mais amplo que "fauna e flora" e associar os aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos intrínsecos a ele. A falta de consciência ecológica e descaso com as temáticas ambientais devem-se principalmente à não exposição das relações acima citadas.
       O processo de degradação dos ecossistemas já existia desde a História Antiga, mas intensificou-se a partir da Revolução Industrial, que eleva os níveis de poluição de uma escala localizada a global devido à consolidação do sistema capitalista. Junto dele, sabemos, vem a idéia de acumular riquezas no menor espaço de tempo possível, ainda que para isso seja necessário degradar - inclusive irreversivelmente - alguns dos mais importantes fatores biológicos.
       As conseqüências de toda essa transformação da natureza em empecilho para o desenvolvimento da modernidade foram especialmente vistas no ano de 2010. Ondas de calor, chuvas em época de seca, alagamentos urbanos, baixa umidade e poluição do ar são as mais alarmantes. Ainda assim, não tomamos atitude consciente e continuamos com o desejo de construir novas hidrelétricas, usinas nucleares e plataformas pretrolíferas. Após a explosão da Deep Horizon no Golfo do México, o chefe executivo da British Petrolium chegou a dizer que os impactos ambientas dessa tragédia foram "muito, muito modestos" [The New Yorker, maio 2010].
       É esse tipo de pensamento que tem tomado a cabeça da sociedade contemporânea. O progresso acima de tudo é uma das piores coisas que podemos transmitir às futuras gerações e precisa ser extinto antes que as espécies animais e vegetais o sejam. Para isso existe o desenvolvimento sustentável, que visa atender todas as verdadeiras necessidades da população sem prejudicar o meio-ambiente a ponto de esgotá-lo para as gerações por vir; em outras palavras, um desenvolvimento racional.
       Para isso, atitudes simples devem ser observadas para combater o agravamento das conseqüências da degradação ambiental como: a separação do lixo para a coleta seletiva, movimentos que incentivem a reciclagem, instalação de catalisadores nos escapamentos de carros e uso da carona ou do transporte coletivo sempre que possível. A um nivel maior, deve-se investir em novas tecnologias de energia, educação ambiental nas escolas e leis mais rígidas e que sejam efetivamente cumpridas contra aqueles que atentarem contra os vários tipos de vida da Terra.
       Cuidar da nossa casa é o mínimo que devemos fazer para retribuir tantos presentes maravilhosos que recebemos todos os dias e que permitem a manutenção da vida no planeta. O homem, sendo parte integrante da natureza, deveria conscientizar-se que destruir o meio ambiente é um passo certeiro rumo a autodestruição.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

As relações sócio-tecnológicas

       É do conhecimento de toda a sociedade as mudanças ocasionadas pela globalização no mundo pós-moderno. O encurtamento do espaço e do tempo, por exemplo, é uma das conseqüências mais comuns e, dependendo do aspecto analisado, é benéfico na maioria das situações. Entretanto, poucas vezes um paralelo entre esses conceitos de globalização e tecnologias com a harmonia social é efetuado. E sabe-se que ambos transformaram muito os relacionamentos da sociedade pós-moderna.
       Os laços humanos são naturalmente vulneráveis à fraqueza, à insegurança e ao egoísmo de cada um, e isso se torna ainda mais evidente com toda a descarga emocional e psicológica advinda do processo de modernização do mundo. A pressa, o estresse e a cobrança por parte de quem quer que seja acabam colocando a tensão de qualquer relacionamento a níveis mais altos que o comum. E apesar do desenvolvimento das tecnologias de informações estar a todo vapor, é freqüente que essas acarretem um paradoxo: ao mesmo tempo que aproximam, afastam.
      Comunicadores instantâneos, e-mails e sites de relacionamento permitem além da praticidade de contato com aqueles que já conhecemos a interação com novas pessoas. O problema é quando os meios virtuais superam os físicos. A facilidade na comunicação à distância é um perigo aos laços humanos, pois não há nela a beleza das palavras pronunciadas enquanto se observa seu interlocutor nos olhos; é tudo muito frio, rápido, esterilizado. E as interações precisam do elemento físico (e dos emocionais decorrentes apenas dele) para sobreviverem. Muitas vezes este é o motivo pelo qual os jovens - inegavelmente mais adeptos a essas tecnologias - têm medo de se vincularem a alguém, uma vez que passam tanto tempo em relacionamentos no mundo pós-moderno que se esquecem de como resgatar a comunicação à moda "antiga".
       Para que não haja prejuízo aos laços humanos - deixando claro que não estão sendo levados em consideração apenas relacionamentos amorosos, mas qualquer tipo de socialização - é necessário que se administre com responsabilidade e maturidade os benefícios que o mundo globalizado trouxe. Dessa forma, aquilo que nos torna verdadeiramente humanos - a capacidade de interação sentimental mútua - é preservado e nos permite usar as tecnologias não como inimigas, mas ferramentas em busca do aprimoramento dessas relações.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Acerca dos novos rumos para a educação

Gênero: Editorial.
Contexto: Discurso da presidente Dilma sobre a educação ser prioridade em seu governo como visto em


ACERCA DOS NOVOS RUMOS PARA A EDUCAÇÃO      

       Fim de fevereiro. Fim do segundo mês de um novo governo. É tempo de mudanças: veja só a eleição da primeira mulher Presidente da República por uma sociedade tradicionalmente machista. Talvez, por isso, a hora para transformações no ensino público brasileiro não possa ser outra senão essa.
       É consenso entre nossa nação que a rede pública de educação no Brasil - pelo menos no que tange os ensinos fundamental e médio - vive uma eterna crise desde que Vargas abandonou a política. A idéia fica ainda mais forte com a divulgação de dados do ENEM 2009, que apontam que das mil melhores escolas do país apenas 9% são públicas. E o que dizer dos 70% de alunos dessa rede de ensino que não aprendem o mínimo requerido em português e matemática nas 5ª e 9ª séries do Ensino Fundamental?
       As causas para esse estado crítico na educação são inúmeras e conhecidas por todos. Além dos investimentos insuficientes, temos uma péssima gestão e subaproveitamento de professores. A Finlândia, por exemplo, não investe nem o dobro que o Brasil em educação e seu sistema público de ensino é o mais eficiente (e invejado) do mundo segundo dados da ONG Transparência Mundial. No mesmo relatório, a Finlândia ocupa o 4º lugar no ranking dos menos corruptos enquanto nós ficamos abaixo da posição 65.
       Observa-se, portanto, que a deficiência da educação pública de nosso país está diretamente ligada à corrupção, uma vez que ela não permite total aproveitamento dos recursos enviados. Alguém se lembra do caso do desvio de dinheiro para a merenda escolar em uma escola pública de São Paulo? O ideal seria que o governo perdesse o medo de investir no ensino, pois qualquer gasto nele gera não só conhecimento, mas economia. Segundo pesquisa liberada pelo IPEA esse ano, para cada R$1,00 aplicado em educação há um acréscimo de R$1,85 no PIB brasileiro. É o setor que mais dá lucro ao país, ao lado da saúde (R$1,70). Por outro lado, percebe-se uma grande aplicação de recursos no Ensino Superior público, o mais desejado pelos vestibulandos de todo o país, tanto pela vantagem econômica quanto pela qualidade. É aí que encontra-se o paradoxo: enquanto se investe tanto em instituições de Ensino Superior, o Fundamental e Médio vão definhando. E como ingressar numa universidade federal/estadual tendo uma péssima base? Mas nem tudo tem a ver com dinheiro. É preciso sim investir mais, mas, sobretudo, investir melhor.
       Organizar projetos de qualificação e valorização do professor é fundamental para o aumento do aprendizado. E apesar de ambiciosas mais duas ações poderiam ser tomadas: a primeira visando retirar da grade de ensino matérias irrelevantes à vida do aluno e que apenas aumentam a taxa de reprovação. A segunda seria descentralizar o poder daqueles grupos que monopolizam a educação, haja vista o ENEM e seus incontáveis desastres.
       Apesar de tudo acima exposto, não é intenção deste editorial criticar ou estabelecer soluções para o problema da educação pública. Os fatos estão no cotidiano de todos os estudantes afetados, e as soluções são instintivas para qualquer um. O que toda a equipe deseja é que neste novo ano e governo as páginas desta revista (e porquê não de nossas concorrentes?) estejam recheadas com matérias sobre como o ensino público está melhorando. Se "país rico é país sem pobreza", então que a principal pobreza a ser combatida seja a da falta de educação de qualidade.



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pátria amada, Brasil!

Às margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico
e, nesse instante, o sol da Liberdade brilhou em raios fúlgidos no céu da Pátria. 
Se conseguimos conquistar com braço forte o penhor desta igualdade,

em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito desafia a própria morte.

Ó Pátria amada, idolatrada, salve, salve!


Brasil, se a imagem do Cruzeiro resplandece em teu céu formoso, risonho e límpido,
um sonho intenso, um raio vídido de amor e de esperança desce à terra.

És belo,

és forte,
impávido colosso gigante pela própria natureza.
E o teu futuro espelha essa grandeza.
 


Ó pátria amada, Brasil, tu, entre outras mil, és terra adorada! Pátria amada, Brasil, és mãe gentil dos filhos deste solo!
 


Ó, Brasil, florão da América, deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!


Teus campos lindos,
risonhos,
têm mais flores do que a terra mais garrida.

Nossos bosques têm mais vida,
nossa vida no teu seio mais amores.
 Ó Pátria amada, idolatrada, salve, salve!


Brasil, [que] o lábaro estrelado que ostentas seja símbolo de amor eterno
e [que] o verde-louro dessa flâmula diga: - Paz no futuro
e glória no passado.
Mas se ergues a clava forte da justiça
verás que um filho teu não foge à luta.
Quem te adora não teme nem a própria morte.

Ó pátria amada, Brasil, tu, entre outras mil, és terra adorada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!