terça-feira, 14 de junho de 2011

Opinião: Ação afirmativa ou hipócrita?

Carta de solicitação aos reitores das universidades públicas brasileiras acerca das cotas raciais.

Goiânia, 10 de novembro de 2009
      
       Caro reitor Edward Madureira Brasil,
       me chamo João da Silva e sou um estudante concluinte do Ensino Médio pelo sistema público de educação e anseio desde muito novo tornar-me um advogado. Entretanto, tendo dificuldades financeiras que me impedem de estudar em bons colégios e preparatórios para o vestibular - em sua maioria particulares -, vejo meu objetivo distante de sua realização, ainda mais com uma política de ação afirmativa recém-adotada pela UFG que prioriza uma parcela de população injustificadamente.
       A cota para negros foi um medida há não muito implantada que tem causado certo desconforto na população preterida. Aqueles que a defendem justificam-se dizendo que a política tem como finalidade reparar tantos anos de peleja dos afrodescendentes no início da história de nosso país. Argumentam ainda que a sociedade brasileira é muito racista e que o número de negros nas universidades é desprezível. Entretanto, percebe-se claramente que o sistema de cotas faz na verdade aumentar a segregação e o preconceito dos brasileiros à medida que afirma que certos grupos são melhores ou piores, mais ou menos capacitados que outros. Em alguns casos, essa política afirmativa ultrapassa o ridículo e incentiva cada vez mais a intolerância contra os negros, haja vista o caso do estudante que prestou vestibular na UFRGS para administração e não foi aprovado, perdendo sua vaga para um cotista que havia tirado nota menor que ele.
       Mas a grande questão, que merece de fato ser foco da discussão, é esta: até que ponto a cor da pele de uma pessoa interfere em sua capacidade cognitiva? Pois é isso que está em jogo quando se presta um vestibular.
       Na última década tem-se notado no "país de todos" uma necessidade quase que patológica de integração na sociedade das várias crenças, costumes e "raças" - quando o certo seria usar "etnias", uma vez que a raça é única: a humana. Já que políticas afirmativas estão tão em alta, porque não utilizar-se delas de forma a favorecer grupos realmente necessitados? Vide os deficientes intelectuais e a população de baixa renda - que não tem condições financeiras para bancar os processos seletivos elitistas. E infelizmente, como o Estado é incapaz de agir em favor da melhoria do ensino público, um terceiro grupo poderia ser admitido para receber cotas: alunos desse vergonhoso sistema. Ressalta-se aqui, porém, que essas últimas cotas não vão tirar o ensino público da precariedade, elas são apenas uma medida paliativa. Após isso, conclui-se que somente esses três grupos poderiam, com dignidade, ingressar no Ensino Superior de maneira facilidada.
       Espero que por meio desta tenha feito Vª Magnificência rever os conceitos de uma verdadeira política afirmativa e discutir com a comunidade acadêmica, o corpo docente e administrativo maneiras de torná-la eficiente e não-separatista. De fato, o Brasil tem uma dívida histórica e social para com os negros, mas essa responsabilidade não pode ser jogada em cima da população que vive no século XXI, de outra forma, grupos como louras, homossexuais, judeus, albinos e tantos outros mereceriam receber privilégios devido a seu passado histórico cheio de repressões.
       Numa sociedade democrática este é o mínimo que se pode esperar.

Cordialmente,
João da Silva.
 

► O local, a data, o destinatário e o remetente (incluindo a universidade e o curso por ele pretendidos) são apenas referenciais para o cumprimento da proposta de redação.

É muito mais fácil matar por uma causa...


...do que morrer por ela.

Pela sustentabilidade do homem

       Nas últimas décadas uma importante questão vem sendo levantada: a da preservação do meio-ambiente. É necessário que entenda-se por esse termo, antes de qualquer análise, um conceito mais amplo que "fauna e flora" e associar os aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos intrínsecos a ele. A falta de consciência ecológica e descaso com as temáticas ambientais devem-se principalmente à não exposição das relações acima citadas.
       O processo de degradação dos ecossistemas já existia desde a História Antiga, mas intensificou-se a partir da Revolução Industrial, que eleva os níveis de poluição de uma escala localizada a global devido à consolidação do sistema capitalista. Junto dele, sabemos, vem a idéia de acumular riquezas no menor espaço de tempo possível, ainda que para isso seja necessário degradar - inclusive irreversivelmente - alguns dos mais importantes fatores biológicos.
       As conseqüências de toda essa transformação da natureza em empecilho para o desenvolvimento da modernidade foram especialmente vistas no ano de 2010. Ondas de calor, chuvas em época de seca, alagamentos urbanos, baixa umidade e poluição do ar são as mais alarmantes. Ainda assim, não tomamos atitude consciente e continuamos com o desejo de construir novas hidrelétricas, usinas nucleares e plataformas pretrolíferas. Após a explosão da Deep Horizon no Golfo do México, o chefe executivo da British Petrolium chegou a dizer que os impactos ambientas dessa tragédia foram "muito, muito modestos" [The New Yorker, maio 2010].
       É esse tipo de pensamento que tem tomado a cabeça da sociedade contemporânea. O progresso acima de tudo é uma das piores coisas que podemos transmitir às futuras gerações e precisa ser extinto antes que as espécies animais e vegetais o sejam. Para isso existe o desenvolvimento sustentável, que visa atender todas as verdadeiras necessidades da população sem prejudicar o meio-ambiente a ponto de esgotá-lo para as gerações por vir; em outras palavras, um desenvolvimento racional.
       Para isso, atitudes simples devem ser observadas para combater o agravamento das conseqüências da degradação ambiental como: a separação do lixo para a coleta seletiva, movimentos que incentivem a reciclagem, instalação de catalisadores nos escapamentos de carros e uso da carona ou do transporte coletivo sempre que possível. A um nivel maior, deve-se investir em novas tecnologias de energia, educação ambiental nas escolas e leis mais rígidas e que sejam efetivamente cumpridas contra aqueles que atentarem contra os vários tipos de vida da Terra.
       Cuidar da nossa casa é o mínimo que devemos fazer para retribuir tantos presentes maravilhosos que recebemos todos os dias e que permitem a manutenção da vida no planeta. O homem, sendo parte integrante da natureza, deveria conscientizar-se que destruir o meio ambiente é um passo certeiro rumo a autodestruição.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

As relações sócio-tecnológicas

       É do conhecimento de toda a sociedade as mudanças ocasionadas pela globalização no mundo pós-moderno. O encurtamento do espaço e do tempo, por exemplo, é uma das conseqüências mais comuns e, dependendo do aspecto analisado, é benéfico na maioria das situações. Entretanto, poucas vezes um paralelo entre esses conceitos de globalização e tecnologias com a harmonia social é efetuado. E sabe-se que ambos transformaram muito os relacionamentos da sociedade pós-moderna.
       Os laços humanos são naturalmente vulneráveis à fraqueza, à insegurança e ao egoísmo de cada um, e isso se torna ainda mais evidente com toda a descarga emocional e psicológica advinda do processo de modernização do mundo. A pressa, o estresse e a cobrança por parte de quem quer que seja acabam colocando a tensão de qualquer relacionamento a níveis mais altos que o comum. E apesar do desenvolvimento das tecnologias de informações estar a todo vapor, é freqüente que essas acarretem um paradoxo: ao mesmo tempo que aproximam, afastam.
      Comunicadores instantâneos, e-mails e sites de relacionamento permitem além da praticidade de contato com aqueles que já conhecemos a interação com novas pessoas. O problema é quando os meios virtuais superam os físicos. A facilidade na comunicação à distância é um perigo aos laços humanos, pois não há nela a beleza das palavras pronunciadas enquanto se observa seu interlocutor nos olhos; é tudo muito frio, rápido, esterilizado. E as interações precisam do elemento físico (e dos emocionais decorrentes apenas dele) para sobreviverem. Muitas vezes este é o motivo pelo qual os jovens - inegavelmente mais adeptos a essas tecnologias - têm medo de se vincularem a alguém, uma vez que passam tanto tempo em relacionamentos no mundo pós-moderno que se esquecem de como resgatar a comunicação à moda "antiga".
       Para que não haja prejuízo aos laços humanos - deixando claro que não estão sendo levados em consideração apenas relacionamentos amorosos, mas qualquer tipo de socialização - é necessário que se administre com responsabilidade e maturidade os benefícios que o mundo globalizado trouxe. Dessa forma, aquilo que nos torna verdadeiramente humanos - a capacidade de interação sentimental mútua - é preservado e nos permite usar as tecnologias não como inimigas, mas ferramentas em busca do aprimoramento dessas relações.