domingo, 5 de fevereiro de 2012

To you

     To my mother, to my father, it's your son. Are my screams loud enough for you to hear me? Should I turn this up for you? The silence is what kills me. I need someone here to help me but you don't know how to listen and let me make my decisions. All your insults and your curses make me feel like I'm not a person, and I feel like I am nothing but you made me so do something 'cause I'm fucked up because you are. I need attention, attention you couldn't give.

     Your words to me just a whisper, your face is so unclear. I try to pay attention, your words just disappear. So I speak to you in riddles 'cause my words get in my way. I smoke the whole thing to my head and feel it wash away. I can't take anymore of this, I wanna fall apart 'cause it's always raining in my head. Forget all the things I should have said. I am nothing more than a little boy inside that cries out for attention yet I always try to hide.

     All the times that I've cried. All this wasted, it's all inside and I feel all this pain stuffed down, it's back again. And I lie here in bed, all alone, I can't mend but I feel tomorrow will be ok. But I'm on the outside and I'm looking in. I can see through you, see your true colors. And inside you're ugly, you're ugly like me. I can see through you, see to the real you.


 


Staind lyrics: For you, Epiphany, Outside.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Colapso do século XXI

       "A vizinhança é uma arma engatilhada/Motivos banais desencadeiam gritos à todo vapor/A confusão em massa é o ódio que alimenta os que vivem da histeria". Com essa letra, os integrantes da multi-premiada banda de punk-rock Green Day criticam a transformação que acomete as sociedades ditas civilizadas do século XXI. Apesar de feita num contexto estadunidense, a análise pode ser aplicada perfeitamente ao Brasil, onde nunca se viu tanta violência como agora.
       Estando presente nos locais de trabalho, no trânsito, no lar e até mesmo contra os animais, essas manifestações negativas têm se destacado por um fator agravante: a parcela jovem da sociedade está contribuindo cada vez mais para o aumento das estatísticas da violência no país. Segundo pesquisa do Ministério da Justiça, 40% dos jovens mortos na última década foram vítimas de homicídios (nos adultos, esse valor não chega a 2%); e a taxa sobe para 62% quando se acrescentam fatalidades no trânsito e suicídio, que também podem ser consideradas formas de violência. Para comparação, na década de 80, 47% dos jovens morriam por doenças infecciosas e epidemias.
       Contudo, assassinatos, suicídios e acidentes de trânsito não são as únicas expressões de violência. É preciso entender esse termo muito além da agressão física ou da morte; haja vista os casos de bullying e preconceitos em geral. Muita vezes, esse tormento psicológico é que vai desencadear a manifestação física e a fatalidade, seja do agressor ou do agredido.
       Uma outra análise importante a ser feita é a necessidade de se desvincular imediatamente a associação simplista e preconceituosa entre pobreza/etnia/violência. Estudantes brancos de Direito de classe alta que espancaram uma negra recentemente são tão marginais quanto o garoto mulato e pobre de Realengo que abriu fogo contra os alunos de sua antiga escola onde sofria bullying. Os "machinhos" da elite que apostam rachas e matam pedestres "sem querer" são tão covardes quanto um jovem traficante do morro que mata alguém que lhe deve dinheiro. Esses, e tantos outros exemplos, estão aí para provar que a linha que gostavam de imaginar, responsável por separar o pobre do rico - a civilidade decorrente do dinheiro -, era simplesmente uma mentira. E a verdade é que estamos todos entrando em colapso. E motivos não faltam.
       Segundo geógrafos, o processo de urbanização no Brasil começou na década de 1970 e no final dos anos 80 as grandes cidades já experimentavam um inchaço demográfico. Além de forçar a convivência entre pessoas de diferentes pensamentos, criações e hábitos, esse processo levou ao desemprego, às precárias habitações e ao estresse; fatores esses sentidos principalmente por adultos, mas vivenciados em toda a sua dor por seus jovens filhos. Já a mídia, em todas as suas formas, parece estetizar a violência e usá-la como fonte para atrair audiência, ao mesmo tempo em que vende sonhos alienantes e consumistas, como se isso pudesse dar ao jovem a liberdade e a felicidade tão desejadas dessa época. Por fim, o laço que unifica isso tudo: a falta de consciência ética e coletividade que ocorrem quando a família ou está desestruturada ou ignora sua função educacional, entregando esses papéis à escola, aos computadores e demais tecnologias. A interação entre dois ou três desses fatores acaba, com certeza, levando à explosão de violência que os jovens têm praticado hoje.
       Como resgatar nesse grupo, então, o "querer-viver" de Schopenhauer e o "instinto de auto-preservação" de Freud? Não é um trabalho fácil, por isso é necessária uma ação conjunta entre Estado, mídia e família. Esse primeiro tem de urgentemente fornercer condições saudáveis para o desenvolvimento dos jovens; promover melhorias nas escolas públicas, incentivar as artes e esportes e dar a eles condições reais de inserção no mercado de trabalho. A mídia poderia mudar o seu projeto de formar um "jovem alucinado" e conscientizá-lo de seu papel como mantenedor da paz na sociedade do futuro. Mas o mais importante continua sendo aquilo que se aprende em casa. Os pais de hoje precisam ser mais rígidos (não autoritários ou agressivos, contudo) na educação dos filhos. Implantar neles desde cedo a valorização e o respeito ao outro, a prática da benevolência, da ética e, quando possível, das ações comunitárias são medidas fundamentais para a formação de um jovem-adulto de bem.
       Dessa forma, a juventude, fase tão bonita, mas infelizmente caracterizada pela opressão e terror atuais, poderá voltar a ser vista como elemento de esperança, bondade e harmonia. Até lá, entretanto, teremos uma longa caminhada, mas podemos dar os primeiros passos hoje. Agora.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Opinião: Sobre o voto branco ou nulo

       A ignorância e a indiferença do eleitorado são as principais causas da corrupção e da pobreza de espírito que assola a política no Brasil; e para mudá-la a sociedade deve mudar a si mesma anteriormente.
       O Brasil não está num alto nível democrático que permite que seus eleitores abdiquem o voto - para quem não se lembra, saímos de uma ditadura há apenas 25 anos -, portanto, alternativas como o voto nulo ou branco são impensáveis. Talvez um dia o voto no Brasil venha a ser facultativo, e se o for, saberemos que foi pela conquista do povo, que, interessado, utilizou o poder de escolha como uma ferramenta de "seleção natural" de alta eficácia, deixando no poder apenas os políticos comprometidos com o melhor para a Nação.
       Até que esse dia chegue, porém, o voto compulsório - e consciente, claro - continua sendo a melhor maneira para expurgar da política aqueles que não merecem estar nela e, acima de tudo, demonstrar comprometimento com o tipo e a qualidade de vida que se quer para o futuro não só individual, mas coletivo e também das gerações por vir.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A ética do lado de cá do espelho

       Viver em sociedade não é uma tarefa fácil. Para que essa missão fosse bem-sucedida, o filósofo John Locke teorizou um contratualismo político, no qual os homens - percebendo a necessidade de um órgão para regulamentar as relações - submetiam-se voluntariamente a um governo. Já para Rousseau, o contrato deveria ter cunho social, com os indivíduos organizando a sociedade por si mesmos de acordo com a vontade geral. Ao passo em que os dois pensamentos podem ser vistos como complementares, fica claro que em ambos os contratos há um papel indispensável ao cidadão para que a coletividade seja mantida: a consciência ética.
       Atualmente tão esquecida, ela é o conjunto de valores que norteiam a boa conduta do ser humano nos mais diferentes aspectos. No governo brasileiro já se tornou chavão dizer que "todos os políticos são corruptos". Entretanto, esquece-se com isso de que nossa democracia é representativa; os políticos que estão no poder nada mais são do que reflexo de nossa sociedade. Outro ponto negativo nessa condenação generalizada é o perigo de vermos a falta de integridade sempre nos outros, nunca em nós mesmos.
       Contudo, jogar lixo na rua quando se tem uma lixeira logo à frente, ou aceitar dez centavos a mais no troco da padaria é tão desonesto quanto colocar milhares de dólares na cueca. E o indivíduo que não percebe essa relação e se sente alheio diante o cenário vergonhoso no qual o Brasil se encontra, apenas contribui para legitimar a corrupção na sociedade e, consequentemente, na política.
       Para que essa mentalidade conformista com as injustiças e a falta de caráter seja extinta de nossa nação é necessário antes de tudo experimentar a ética no dia-a-dia. Ser honesto, pensar no e respeitar o próximo, e ter a dignidade de reconhecer que o mundo não se baseia no egocentrismo são os principais passos para que uma verdadeira transformação tome conta do nosso país. Outra medida de fundamental valor seria o urgente investimento em educação de que todos falam. Mas não apenas na propagação de fórmulas matemáticas ou regras gramaticais; educação aqui no sentido de formar crianças e jovens - que serão nosso futuro - com senso crítico e consciência moral, cidadão e ética.
       Apenas dessa forma a solidariedade e o respeito ao diferente irão se fazer realidades no Brasil, permitindo o nascimento de uma democracia mais limpa, justa e acolhedora que qualquer filósofo poderia teorizar.

       Imagens da Marcha Contra a Corrupção realizada em Brasília no dia 7 de setembro de 2011. Reuniu cerca de 20 mil pessoas que pediam o fim do voto secreto no Senado e na Câmara, além de maior transparência no gasto do dinheiro público e a validação da Ficha Limpa para as próximas eleições. Movimentos semelhantes aconteceram em São Paulo e no Rio, juntando mais de 50 mil pessoas.Tudo combinado pelas redes sociais. Novas marchas já estão sendo agendadas em várias cidades pelo país.

domingo, 11 de setembro de 2011

V de "Justiça"

      Onze de setembro de 2001. O ataque terrorista ao World Trade Center deixa mais de três mil mortos e outra série de atentados é praticada em Washington e na Pensilvânia. Uma tragédia que imprimiu suas imagens assombrosas na memória coletiva do planeta.
       Hoje, dez anos depois dos ataques liderados por Osama bin Laden, ícone máximo do grupo terrorista Al Qaeda, "justiça foi feita". Ao menos foram essas as palavras retumbadas com satisfação pelo presidente estadunidense Barack Obama. Nas ruas de Nova Iorque e outras grandes cidades da maior potência econômica mundial - em crise - houve festa. Os civis saíram às ruas aplaudindo, gritando e ridicularizando a morte do homem responsável pelas milhares de fatalidades dez anos antes. A Agência Central de Inteligência Americana (CIA) declarou sem pudor que o objetivo de sua missão era de fato matar bin Laden. Justiça?
       Não, senhores. O nome disso é vingança. Punir morte com morte é uma animalização, faz-nos regredir aos tempos da Lei de Talião no início da história da humanidade. Osama estava errado? Claro. Mas essa última demonstração imperialista dos EUA faz com que eles percam a razão e se tornem tão terroristas quanto o mentor da Al Qaeda: o governo americano se consolida como terrorista da democracia e dos Direitos Humanos.
       A Al Qaeda, por sinal, havia muito já não era liderada por bin Laden. Como todo grupo organizado, há uma hierarquia e o médico Al Zawahiri é o atual mentor da rede de fundamentalistas. Osama nos últimos anos era nada mais que um ícone de fácil identificação, um representante demonizado do terror pelo governo estadunidense a fim de fazer o mundo compactuar com suas ações imperialistas. O assassinato desse representante não significa justiça ou o fim da era do terror, tampouco da guerra contra ele. Pelo contrário, bin Laden se tornou um mártir para seus seguidores, que já declararam que a morte de seu líder será uma "maldição que irá perseguir os americanos e seus aliados".
       Diante essa ameaça, o mundo se posiciona. O Conselho de Segurança da ONU ordenou que todos os países permaneçam atentos e intensifiquem os esforços na luta contra o terrorismo. Por inconsequência e imaturidade do prepotente governo americano, todos foram convocados a escolher um lado em uma guerra que nem teria começado se os presidentes dos EUA não tivessem um histórico em querer controlar todas as nações do globo. O principal terrorismo a ser combatido, senhores, deveria ser o imperialismo.

Justiça?

  
UM CONTO SOBRE UM IMPÉRIO: 
       • 1945: EUA bombardeiam Hiroshima e Nagasaki. Resultado: 300 mil mortes.
       • 1953: EUA derrubam Mossadeq, primeiro-ministro do Irã. Colocam Shah como ditador.
       • 1954: EUA derrubam Arbenz, presidente da Guatemala eleito democraticamente. 200 mil civis são mortos no processo. 
       • 1963: EUA apóiam o assassinato do presidente sul-vietnamita, Diem.
       • 1963-75: Exército americano mata 4 milhões na Ásia.
       • 1973: EUA armam um golpe de Estado no Chile. O presidente Salvador Allende, eleito democraticamente, é assassinado. O ditador Augusto Pinochet assume. 5 mil chilenos são assassinados.
       • 1977: EUA apóiam o governo militar de El Salvador. 4 freiras e 70 mil salvadorenhos são mortos.
       • 1980: EUA treinam bin Laden e terroristas para matarem soviéticos. A CIA banca a operação de U$ 3 bilhões.
       • 1981: O presidente estadunidense Reagan treina e financia revoltosos contra o governo da Nicarágua. 3 mil civis morrem.
       • 1982: EUA dão bilhões de dólares a Saddam Hussein para que ele compre armas para matar iranianos. 
       • 1983: Casa Branca é descoberta fornecendo secretamente armas ao Irã para matar iraquianos.
       • 1989: O agente da CIA e também presidente do Panamá, Manuel Noriega, desobedece comandos de Washington. Os EUA invadem o Panamá e desapossam Noriega. Saldo de 3 mil panamenhos mortos.
       • 1990: Iraque invade Kuwait com armas fornecidas pelos americanos.
       • 1991: EUA invadem o Iraque. Bush-pai reempossa o ditador do Kuwait.
       • 1998: Bill Clinton bombardeia com mísseis "fábrica de armamentos e antraz" no Sudão. Descobre-se, contudo, que era uma fábrica de aspirinas.
       • 1991-2010: Aviões americanos bombardeiam o Iraque semanalmente para "estabelecer um governo democrático" e acabar com o programa de "armas de destruição em massa". Segundo a ONU, pelo menos 500 mil crianças morreram devido às bombas e suas consequências.
       • 2000-01: EUA dão aos talibãs que controlam o Afeganistão U$ 245 milhões para "ajuda".
       • 11 de setembro de 2001: Osama bin Laden mata 3 mil pessoas no ataque às Torres Gêmeas com técnicas que aprendeu com a CIA.


domingo, 4 de setembro de 2011

Metáforas

        Continuou girando os pedais com toda força que tinha. Sabia que ia cair. E todos iam ver ele cair. Enquanto descia, teve consciência de que era apenas isso que o motivava a descer aquela escadaria tantas vezes, a possibilidade da queda, de se arrebentar no chão. E essa seria a mais espetacular de todas. (...) Estava pronto para sangrar (...) de um jeito que ninguém jamais esqueceria. Era seu talento.