sábado, 13 de agosto de 2011

A televisão neutra

       Já há algum tempo tem se discutido muito sobre os benefícios, malefícios e principalmente a influência que a televisão exerce sobre nossa sociedade. Há quem diga que o aparelho é uma invenção que como nenhuma outra entretém e dá apoio à evasão imaginária, o que, claro, é rebatido por aqueles que são contra ela pelo fato de ser também um meio de manipular as massas e propagar maus costumes. Nesse jogo de dualismos tão extremos, o que representa a televisão para as pessoas, afinal?
       Sobretudo ela é uma forma de ser fazer arte. No início da década de 50, ainda não era popular no Brasil, mas seu barateamento cerca de 15 anos depois tornou-a mais acessível às pessoas. E desde então podemos viajar para outros lugares e tempos, sermos personagens que sempre desejamos ser, conhecer outras culturas e povos; tudo isso sem sair do lugar. Não bastasse seu propósito artístico e de entretenimento a televisão também pode utilizada para transmitir informações e conhecimento.
       Entretanto, o que se vê hoje em dia é uma deturpação daquilo que a TV - como foi carinhosamente apelidada - tem de melhor. Os noticiários tornaram-se parciais ao extremo, telenovelas e seriados não poderiam ser mais apelativos quanto a sexo ou violência, realities oferecem prêmios milionários às pessoas mais fúteis da sociedade; tudo isso ao som de "compre", "faça", "tenha". O mais triste é perceber que justamente esses programas são os de maior audiência.
       Por esse motivo, somos levados a acreditar que algo de muito errado está acontecendo. Estaríamos passando tempo demais em frente à televisão e tempo de menos fazendo coisas edificantes como a leitura, os estudos e a socialização? Sabemos que a televisão reflete aquilo que seu telespectador quer e, conseqüentemente, aquilo que ele é. O aparente emburrecimento da audiência explica-se com isso. Estamos deixando a comodidade de apertar um botão dominar nossas vidas em vez de sermos aqueles que ditam o que querem assistir. Mudar de canal ou desligar o aparelho é a única forma de manifestar nosso desejo por algo melhor.
       É necessário ter, portanto, uma postura inteligente diante à televisão. Seria radicalismo dizer que ela apresenta apenas pontos negativos e suspender seu uso. Por outro lado, não podemos nos submeter silenciosamente a tudo que nos é transmitido como se o aparelho fosse uma espécie de deus do mundo moderno. O bom-senso é a principal arma a ser utilizada a partir do momento em que nos dispomos a assistir qualquer programa. Para isso, basta apenas mudar de canal ou, no caso de nada fizer juízo à sua inteligência, desligar o aparelho e procurar algo melhor para fazer. Agora, se você prefere continuar se divertindo e dando audiência às transmissões de pior qualidade talvez nem devesse ter uma televisão em primeiro lugar.

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