“ Redija um conto em 3ª pessoa que possa responder ao questionamento: O homem está totalmente à mercê das forças naturais e nada pode fazer diante da fúria da natureza ou existem formas de prevenir os desastres e proteger-se deles? ”
PREVISÃO DO TEMPO
É 2100. Thomas termina de ajustar a gravata em frente ao espelho em um cômodo cinzento e tecnológico. Está trabalhando para o governo de seu país há alguns anos, desde que foi resgatado quase sem vida de uma missão anterior. É o que ele lembra, é o que lhe disseram. Sua memória é apagada toda vez que completa uma jornada. Hoje, sua missão é voltar ao passado para avisar à sociedade da época sobre o terrível futuro que a aguarda caso ela continue não se importando com a degradação da natureza em suas mais variadas formas. Agora, de frente ao computador do governo, Thomas conecta alguns eletrodos nas têmporas e fecha os olhos, deixado sua consciência ser levada de volta no tempo.
Era 2020. A temperatura do planeta havia aumentado mais que os 2°C estabelecidos pelo G8 em 2009. Não fosse o bastante, as marés subiram, deslizamentos continuavam ceifando os subúrbios, a fauna e flora extinguiam-se sem que ninguém se preocupasse, ora chovia demais, ora de menos. Entretanto a vida continuava, ou melhor, o capital. Era simplesmente muito mais fácil - e lucrativo - deixar para o futuro as precauções contra a fúria da natureza. Mas havia chegado o tempo em que o futuro, danificado irreversivelmente, já não podia fazer mais nada senão apostar no passado. Sim, o mesmo que o condenara.
Oitenta anos antes de seu tempo, Thomas chegou. Reparou as pessoas agressivas e infelizes culpando o calor, a seca, a chuva, os deslizamentos e os ciclones por tudo; todavia, continuavam inertes quanto à preservação e a prevenção do meio ambiente. Se os habitantes do passado estavam achando a situação ruim, tinham que ver o futuro, pensou.
Thomas logo se revelou publicamente e demonstrou a frustração de sua sociedade com belos, mas ineficientes Kyoto, ECO92, COP16 e tantos outros acordos. Também levou à mídia fotos, vídeos e relatos orais sobre o amanhã com o qual ninguém se preocupava. Pouco tempo depois, passou a auxiliar vários países na tomada de medidas para prevenir desastres bem como para diminuir os efeitos daqueles que não podiam ser evitados. Todos eram baseados em medidas simples, bem evidentes e instintivas, que estavam apenas esperando uma conscientização da população da época e das gerações seguintes.
Ciente de que havia realizado sua jornada da melhor forma possível, o homem do futuro permitiu-se voltar à sua linha temporal.
É 2100 novamente. Ele acorda, desconecta os eletrodos das têmporas e sai do quarto cinzento, partindo para outra sala na qual sua memória será outra vez apagada, antes mesmo que ele possa ver o resultado de sua interferência no passado. Enquanto caminha pelo estreito corredor em direção à sala, Thomas olha para além da enorme janela panorâmica à sua direita e sorri após observar por alguns instantes. O dia lá fora parece mais fresco e verde.

