sexta-feira, 25 de março de 2011

Previsão do tempo

              Redija um conto em 3ª pessoa que possa responder ao questionamento: O homem está totalmente à mercê das forças naturais e nada pode fazer diante da fúria da natureza ou existem formas de prevenir os desastres e proteger-se deles?
      
PREVISÃO DO TEMPO

É 2100. Thomas termina de ajustar a gravata em frente ao espelho em um cômodo cinzento e tecnológico. Está trabalhando para o governo de seu país há alguns anos, desde que foi resgatado quase sem vida de uma missão anterior. É o que ele lembra, é o que lhe disseram. Sua memória é apagada toda vez que completa uma jornada. Hoje, sua missão é voltar ao passado para avisar à sociedade da época sobre o terrível futuro que a aguarda caso ela continue não se importando com a degradação da natureza em suas mais variadas formas. Agora, de frente ao computador do governo, Thomas conecta alguns eletrodos nas têmporas e fecha os olhos, deixado sua consciência ser levada de volta no tempo.
Era 2020. A temperatura do planeta havia aumentado mais que os 2°C estabelecidos pelo G8 em 2009. Não fosse o bastante, as marés subiram, deslizamentos continuavam ceifando os subúrbios, a fauna e flora extinguiam-se sem que ninguém se preocupasse, ora chovia demais, ora de menos. Entretanto a vida continuava, ou melhor, o capital. Era simplesmente muito mais fácil - e lucrativo - deixar para o futuro as precauções contra a fúria da natureza. Mas havia chegado o tempo em que o futuro, danificado irreversivelmente, já não podia fazer mais nada senão apostar no passado. Sim, o mesmo que o condenara.
Oitenta anos antes de seu tempo, Thomas chegou. Reparou as pessoas agressivas e infelizes culpando o calor, a seca, a chuva, os deslizamentos e os ciclones por tudo; todavia, continuavam inertes quanto à preservação e a prevenção do meio ambiente. Se os habitantes do passado estavam achando a situação ruim, tinham que ver o futuro, pensou.
Thomas logo se revelou publicamente e demonstrou a frustração de sua sociedade com belos, mas ineficientes Kyoto, ECO92, COP16 e tantos outros acordos. Também levou à mídia fotos, vídeos e relatos orais sobre o amanhã com o qual ninguém se preocupava. Pouco tempo depois, passou a auxiliar vários países na tomada de medidas para prevenir desastres bem como para diminuir os efeitos daqueles que não podiam ser evitados. Todos eram baseados em medidas simples, bem evidentes e instintivas, que estavam apenas esperando uma conscientização da população da época e das gerações seguintes.
Ciente de que havia realizado sua jornada da melhor forma possível, o homem do futuro permitiu-se voltar à sua linha temporal.
É 2100 novamente. Ele acorda, desconecta os eletrodos das têmporas e sai do quarto cinzento, partindo para outra sala na qual sua memória será outra vez apagada, antes mesmo que ele possa ver o resultado de sua interferência no passado. Enquanto caminha pelo estreito corredor em direção à sala, Thomas olha para além da enorme janela panorâmica à sua direita e sorri após observar por alguns instantes. O dia lá fora parece mais fresco e verde.

terça-feira, 22 de março de 2011

Semi Intensivo


O poder de potencializar emoções.

Fim da monocromia


       A imagem acima é épica. Quem sabe de onde é, sabe o que ela quer dizer. Entretanto, comecei há alguns meses a assistir um seriado adolescente, sem pretensão nenhuma, apenas querendo relaxar a mente nos momentos vagos. Eu decidi que não queria mais ficar preso a seriados sérios; tentar entender Lost foi difícil, assim como formular teorias para Prison Break e tantas outras séries intrincadas. A intenção ao assistir Greek era apenas relaxar, sem apego nenhum, mas eis que logo na primeira temporada recebo um tapa na cara. Casey Cartwright estava certíssima em uma de suas constatações.
       Até o Ensino Médio é admirável o idealismo de que o mundo é preto ou branco. Mas há uma hora em que nós temos que perceber que a partir de então é escala de cinza.
       Eu já sabia, mas há uma diferença entre saber e vivenciar. A vivência começou há não muito, dia 08/02/2011.

Sobre a dor

       Harry sentiu a raiva incandescente lamber suas entranhas, transformar-se em labareda, no terrível vácuo, enchendo-o com o desejo de ferir Dumbledore por sua calma e palavras vazias.
[...]
       - PARA MIM JÁ CHEGA, QUERO SAIR, QUERO QUE ISTO ACABE, NÃO QUERO MAIS SABER... - Gritou Harry, tão alto que achou que sua garganta poderia rasgar, e por um segundo teve vontade de avançar em Dumbledore e quebrar o bruxo também; quebrar aquele rosto velho e calmo, sacudi-lo, machucá-lo, fazê-lo sentir um pedacinho do horror que carregava em seu íntimo.
[...]
       Mas as palavras já não eram suficientes, quebrar coisas já não adiantava. Ele queria fugir, queria fugir sem parar, sem nunca olhar para trás, queria ir para algum lugar em que não visse aqueles olhos azul-claros encarando-o, aquele rosto velho odiosamente calmo.

                       in J.K. Rowling's Harry Potter e a Ordem da Fênix, pág. 666.

All children... Grow up.

Como se fosse fácil.