domingo, 11 de setembro de 2011

V de "Justiça"

      Onze de setembro de 2001. O ataque terrorista ao World Trade Center deixa mais de três mil mortos e outra série de atentados é praticada em Washington e na Pensilvânia. Uma tragédia que imprimiu suas imagens assombrosas na memória coletiva do planeta.
       Hoje, dez anos depois dos ataques liderados por Osama bin Laden, ícone máximo do grupo terrorista Al Qaeda, "justiça foi feita". Ao menos foram essas as palavras retumbadas com satisfação pelo presidente estadunidense Barack Obama. Nas ruas de Nova Iorque e outras grandes cidades da maior potência econômica mundial - em crise - houve festa. Os civis saíram às ruas aplaudindo, gritando e ridicularizando a morte do homem responsável pelas milhares de fatalidades dez anos antes. A Agência Central de Inteligência Americana (CIA) declarou sem pudor que o objetivo de sua missão era de fato matar bin Laden. Justiça?
       Não, senhores. O nome disso é vingança. Punir morte com morte é uma animalização, faz-nos regredir aos tempos da Lei de Talião no início da história da humanidade. Osama estava errado? Claro. Mas essa última demonstração imperialista dos EUA faz com que eles percam a razão e se tornem tão terroristas quanto o mentor da Al Qaeda: o governo americano se consolida como terrorista da democracia e dos Direitos Humanos.
       A Al Qaeda, por sinal, havia muito já não era liderada por bin Laden. Como todo grupo organizado, há uma hierarquia e o médico Al Zawahiri é o atual mentor da rede de fundamentalistas. Osama nos últimos anos era nada mais que um ícone de fácil identificação, um representante demonizado do terror pelo governo estadunidense a fim de fazer o mundo compactuar com suas ações imperialistas. O assassinato desse representante não significa justiça ou o fim da era do terror, tampouco da guerra contra ele. Pelo contrário, bin Laden se tornou um mártir para seus seguidores, que já declararam que a morte de seu líder será uma "maldição que irá perseguir os americanos e seus aliados".
       Diante essa ameaça, o mundo se posiciona. O Conselho de Segurança da ONU ordenou que todos os países permaneçam atentos e intensifiquem os esforços na luta contra o terrorismo. Por inconsequência e imaturidade do prepotente governo americano, todos foram convocados a escolher um lado em uma guerra que nem teria começado se os presidentes dos EUA não tivessem um histórico em querer controlar todas as nações do globo. O principal terrorismo a ser combatido, senhores, deveria ser o imperialismo.

Justiça?

  
UM CONTO SOBRE UM IMPÉRIO: 
       • 1945: EUA bombardeiam Hiroshima e Nagasaki. Resultado: 300 mil mortes.
       • 1953: EUA derrubam Mossadeq, primeiro-ministro do Irã. Colocam Shah como ditador.
       • 1954: EUA derrubam Arbenz, presidente da Guatemala eleito democraticamente. 200 mil civis são mortos no processo. 
       • 1963: EUA apóiam o assassinato do presidente sul-vietnamita, Diem.
       • 1963-75: Exército americano mata 4 milhões na Ásia.
       • 1973: EUA armam um golpe de Estado no Chile. O presidente Salvador Allende, eleito democraticamente, é assassinado. O ditador Augusto Pinochet assume. 5 mil chilenos são assassinados.
       • 1977: EUA apóiam o governo militar de El Salvador. 4 freiras e 70 mil salvadorenhos são mortos.
       • 1980: EUA treinam bin Laden e terroristas para matarem soviéticos. A CIA banca a operação de U$ 3 bilhões.
       • 1981: O presidente estadunidense Reagan treina e financia revoltosos contra o governo da Nicarágua. 3 mil civis morrem.
       • 1982: EUA dão bilhões de dólares a Saddam Hussein para que ele compre armas para matar iranianos. 
       • 1983: Casa Branca é descoberta fornecendo secretamente armas ao Irã para matar iraquianos.
       • 1989: O agente da CIA e também presidente do Panamá, Manuel Noriega, desobedece comandos de Washington. Os EUA invadem o Panamá e desapossam Noriega. Saldo de 3 mil panamenhos mortos.
       • 1990: Iraque invade Kuwait com armas fornecidas pelos americanos.
       • 1991: EUA invadem o Iraque. Bush-pai reempossa o ditador do Kuwait.
       • 1998: Bill Clinton bombardeia com mísseis "fábrica de armamentos e antraz" no Sudão. Descobre-se, contudo, que era uma fábrica de aspirinas.
       • 1991-2010: Aviões americanos bombardeiam o Iraque semanalmente para "estabelecer um governo democrático" e acabar com o programa de "armas de destruição em massa". Segundo a ONU, pelo menos 500 mil crianças morreram devido às bombas e suas consequências.
       • 2000-01: EUA dão aos talibãs que controlam o Afeganistão U$ 245 milhões para "ajuda".
       • 11 de setembro de 2001: Osama bin Laden mata 3 mil pessoas no ataque às Torres Gêmeas com técnicas que aprendeu com a CIA.


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