Brasil, Janeiro de 1890. Ao mesmo tempo em que se tornava uma República Federativa, nosso país rompia os laços com a Igreja Católica e consolidava-se um Estado Laico Democrático de Direito. Finalmente, não mais prevaleceriam as paixões religiosas de outrora; a partir daquele ano a lei maior a ser seguida seria a Constituição Federal. E logo em seu primeiro artigo, ela deixa claro que seu princípio é o da dignidade humana, visando a construção de uma sociedade livre, justa e sem preconceitos e/ou discriminação de quaisquer tipos. Entretanto, o quanto de tudo isso é de fato assegurado por ela?
Até então, muito pouco, se tivermos em mente que a Constituição deve acalentar a toda uma nação e não apenas sua maioria. A (boa) surpresa ocorreu atualmente, mais de um século depois da consolidação da República: casais homossexuais passam a ter os mesmos direitos dos héteros. Isso não deveria ser choque algum, tampouco ter gerado tanto estardalhaço na mídia. Ora, se a Carta Magna prega que todos são iguais e dignos, deveria desde o primeiro momento reconhecer as diferentes esferas que as palavras "família" e "união" englobam.
Porém, não é tão fácil para uma sociedade se libertar de sua bolha quando sua própria origem em 1500 está contaminada pelos dogmas e preconceitos religiosos. Pode-se entender que a resistência ao "novo" significado de família e união é um resquício dessa mentalidade arcaica, haja vista que as principais bancadas opositoras aos direitos dos homossexuais no Congresso foram as religiosas e ruralistas. Apesar de se entender, não se pode compactuar com o preconceito. Como dito anteriormente, o Estado é laico e, portanto, crenças religiosas não podem interferir na liberdade individual e de consciência dos cidadãos, bem como não têm legitimidade alguma na promulgação de leis.
Os opositores aos direitos LGBT defendem-se dizendo que são a favor dos bons costumes, da moral e que o que os homossexuais querem é implantar uma "ditadura gay" sobre a nação, o que é risível por dois motivos. Primeiro, que há muito tempo os próprios héteros não mais respeitam os bons costumes e passam a exigir isso de uma minoria que é tão humana e falha como eles. Segundo, porque como uma parte excluída, marginalizada da sociedade poderia possivelmente implantar uma ditadura? As recorrentes aparições de gays em seriados, novelas e telejornais não têm o objetivo obscuro de dominação política ou econômica como alguns gostam de delirar, apenas visam dar maior consciência à população de que eles existem e que também são merecedores de respeito e de todos os direitos garantidos pela Constituição, uma vez que antes de serem homossexuais são, sobretudo, seres humanos com vontade de viver e amar como qualquer outra pessoa.
Finalmente, agora eles podem. Depois da aprovação do Supremo Tribunal Federal, o primeiro passo para a verdadeira igualdade democrática foi dado. Resta agora esperar que outras minorias também possam ser contempladas e integrar efetivamente esse Brasil que amanhece mais justo e digno a cada manhã.

Maior parte do preconceito contra relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo vêm da comunidade religiosa que parece esquecer de um dos seus principais fundamentos: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Triste...
ResponderExcluirO maior preconceito, acredito ser das igrejas... dos religiosos!! Ainda não descobri para que serve religião!
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